Sábado, Março 03, 2012

A mesma novela

Como disse Hank, alterego de Bukowski: "ficção é a vida melhorada". Estou precisada de um pouco mais de ficção em minha vida.

Pura melancolia. Meu drama inventado. Será que tudo isso faz parte do meu inferno astral? Acho tudo tão estranho... O tempo se arrastando, pessoas rindo de qualquer coisa e eu não vejo graça em mais nada.

Meus 30 anos se aproximam. Um marco cronológico de grande significado para alguns. Mas não fiz nem uma pequena parcela do que diziam aquelas listas de "coisas que devemos fazer antes dos 30". Sequer um porre, algo tão banal, eu tomei!

Dizem que devemos fazer antes dos 30 algumas coisas que seriam ridículas a certa altura da vida. Não, pensando bem, eu nunca fui grande seguidora de padrões sociais. Se um dia quiser, por exemplo, vestir-me como uma pré-adolescente e for criticada por isso, no alto dos meus quase 30 anos, não me sentirei ofendida com isso. Na verdade estou pouco me lixando para o que pensam das minhas atitudes pouco adequadas à minha idade! Sou imatura até, nunca neguei. Fui criada a leite com pêra. Não fui mimada, mas superprotegida. Agora sofro as consequências com minha ingenuidade e inexperiência de vida. Mas venha o que vier, encararei esses 30 anos de frente. 

Já posso prever aquela crise existencial, semelhante a dos meus vinte e poucos anos (24 ou 25? não lembro mais). Com muitas lágrimas e solidão. Algo a que já estou bem habituada...

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Observação: Esse blog não segue mais uma ordem cronológica. Resolvi postar alguns textos que guardava em rascunho e vai ficar uma bagunça. Mas eu que tento me entender, me entendo perfeitamente, ou não entendo porra nenhuma, mas continuo tentando.

Quinta-feira, Março 01, 2012

Indefinido


"Love is just a game
Broken all the same
And I will get over you
Love is just a lie
Happens all the time
Swear I know this much is true"
Love's A Game - The Magic Numbers


No caminho em que me perdi
Tentando te encontrar
Nada está no lugar
Mas parece melhor assim.

Numa viagem insólita
A distância de um sonho
Do que era tão certo
Malas prontas sem um ponto.

Como na morte de alguém querido
Ficou também o vazio
Memórias das doces palavras
E lágrimas de um tempo bandido.

Sonhos e planos terão novos personagens.
Meus dramas, um novo vilão.
A carta salgada não precisa mais seguir.
Os dias lentos não precisam mais correr.
E a vida pede uma nova razão.




Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

Minha terapia

Incrível como um simples celular mudou minha vida!! Agora todo meu ócio é produtivo. Na falta do que fazer, pego o aparelhinho e escrevo. Afinal, minha mente não anda tão vazia quanto eu imaginava!

Tenho alguns pequenos textos publicáveis e outros nem tanto. Aquelas cartas que a gente escreve e guarda pra sempre, sem nunca chegar ao destinatário, também estão lá.

Sempre tive esse blog como uma forma de terapia. A quem quero enganar? Também fazia bem ao ego, naquela época em que os blogs disputavam prêmios por melhor design, conteúdo ou número de visitante e comentários. Também tive meus momentos de glória. Mas hoje ele é só isso: um diário de pensamentos, um registro do que tenho vontade de publicar ou apenas salvar aqui nos rascunhos.

Mas o melhor mesmo é tê-lo como terapia, pois é especialmente nos piores momentos que tenho esse "apoio" que ninguém mais pode me dar. Se eu estiver prestes a me atirar do quinto andar (lá do prédio do meu pai equivale a uns 20 metros, morre fácil) esse blog será o primeiro a saber.

Mas o momento é de otimismo. Quando a gente chega ao fundo do poço, o que nos resta é subir!

Hoje foi um dia tranquilo nos dois "empregos". Foi dia de desabafo também, por isso não sobrou muito pra falar aqui. Mas posso repetir que a qualquer momento estarei largando um dos meus trabalhos. É viver pela merreca ou recuperar a minha saúde e sanidade. Estou surtandoooo!!! Me olho no espelho e não me reconheço. Nunca estive tão apática e magra. Meus amigos do Rio, que não me viam há algum tempo, pareciam realmente preocupados.

É um problema ter essa tendência pros distúrbios alimentares, combinado com a genética favorável e o metabolismo acelerado. Junta-se a isso o estresse, a fome desaparece, vem a gastrite e... pá! Pelo menos minha ansiedade por roer unhas está sob controle! Tenho que descontar em alguma outra coisa. Mas o que? O que? Sei lá. Pior que não ter fome é ter o seu desejo de comer geleia de mocotó frustrado ao abrir uma geleia estragada =/ 

Quarta-feira, Fevereiro 15, 2012

Coleção



Ele me manda beijos à distância! Eu fico tão encabulada quando isso acontece, mas adoro.
Fico sem saber o que fazer. Jogo de volta? Pego seus beijos no ar?
Tenho medo que eles se desfaçam muito depressa ou que se percam numa brisa no caminho.
Então eu prefiro guardá-los. Pego o mais rápido que posso e guardo, escondo.
Coleciono aqueles beijos soltos, voadores, carinhosos e atrevidos, que sempre me pegam de surpresa.
E eu, de forma desajeitada, vou recolhendo e guardando, um a um, pendurando no pescoço, amassando nos bolsos, retribuindo num sorriso tímido.

Domingo, Janeiro 29, 2012

"Hj o dia começa agitado: facul, ONG, basquete, socialzinha, centro espírita e salão de beleuza???

Amanhã: facul e festinha ou Lapa (ou ambas)!

Sábado: ONG, treino Barra Flames e alguma boa... mas qual???

Domingo: Dormir, acordar, chá de panela e dormir... ZZZzzzzzzzzz..."



Estava revendo e relendo textos e fotos antigos, apagando alguns, salvando outros. Algo que faço com certa frequência. Rever fotos, reler textos... Será que vivo muito no passado? Ou é só saudade de um tempo bom?

Como era bom ter o que fazer e não ocupar meus pensamentos com preocupações e devaneios improdutivos. Como era bom poder pegar minha bicicleta e pedalar até a casa de uma boa amiga para conversar sobre tudo e sobre nada.

O isolamento em que vivo, as obrigações e cobranças, só me estressam, enlouquecem e deprimem com tamanho vazio. Sinto não ter o que dizer mais às pessoas. Agora sei o que é "não ter vida". Antes eu reclamava das férias, sempre tão aborrecidas pela falta do que fazer. Agora contamino virtualmente as pessoas com o meu tédio. Sim, as pobres almas que me dão forças pra tocar essa vidinha medíocre, aturam meus lamentos, já anestesiados.

Verdade que nada tenho para lamentar, sou feliz, tenho tudo o que quero: amor, amigos, saúde, risos e, vez ou outra, alguns pesadelos para manter uma certa dose de adrenalina correndo nas veias. Mas sinto um vazio, como se estivesse distante da minha própria realidade, vivendo uma vida que não é a minha, perdida no mundo... Mas um dia eu pego minha bicicleta e procuro o caminho de volta.

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

Questão n° 1



Mais uma vez essa tristeza vem e me atravessa sem pedir licença.
Faz tanto frio aqui dentro, que tudo o que tenho são punhos cerrados e pedras para atirar.
Acordo agora numa sala vazia. Os livros desordenados nas caixas abertas de papelão.
Um arrepio sobe a espinha e foge pelas pontas dos dedos.
O sentimento de culpa corrosiva perdura questionando o porquê.
Qual o motivo dessa felicidade tão dura?

Quarta-feira, Março 02, 2011

Dentre os meus textos impublicáveis não há nada de obsceno, nada que não possa ser falado em voz alta, apenas feridas que, por vezes, eu prefiro não deixar à mostra.

De todas as vezes que eu chorei, apenas uma foi por amor (ah... o primeiro e dolorido amor). Todas as outras foram causadas por minha mãe, fosse fisicamente pelos espancamentos que sofria quando criança e adolescente, fosse por palavras usadas para ferir psicologicamente.

Ameaças e rejeição fazem parte do repertório. E hoje, mais uma vez, minha mãe conseguiu me fazer mal mesmo estando há mais de 300km de distância, com uma pirracinha ridícula e infantil.

Precisava falar sobre isso.

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17.12.2011
Revendo velhos posts, encontrei este não publicado desde março deste ano. Por alguma razão tinha julgado melhor não publicar um relato tão forte, mas como sempre mudo de ideia, estará visível agora, e posso ocultar novamente em outra ocasião.

Fazendo um balanço com o início do ano e meu momento atual, estou muito melhor agora. Quando escrevi esse post tinha sido expulsa de casa por razões completamente injustas, do meu ponto de vista. Estava morando com meu pai, enquanto minha mãe vivia aqui em Minas (onde estou agora). 

Depois de mudar de endereço quatro vezes em menos de doze meses, voltei a sonhar com mudanças. Mais uma vez enfrento as incompatibilidades com minha mãe, de quem não tenho mais esperanças que venha a aceitar minhas escolhas. Não tem como suprimir preconceitos tão arraigados.

Sexta-feira, Janeiro 07, 2011

Eu vou te explicar.



Não lembro exatamente quais foram as palavras, mas algo como "espero que possamos ser amigos" não é algo que possa ser dito à pessoa que espera de você AMOR e não amizade, especialmente se vier seguindo a frase em que o seu pé chutou a bunda desta pessoa.

Em segundo lugar, uma pessoa com a qual você ficou por algum tempo, ainda que incontínuo, e com a qual gostaria de poder voltar, não poderá nunca ser considerada "somente uma amiga". Responder com essa assertiva quando questionado é considerado mentira.

Finalmente, não faz parte da etiqueta pós-coito desaparecer sem mandar nem ao menos um SMS. Parabéns pelo bicampeonato de canalha dos anos de 2009 e 2010.

P.S.: Vá pro inferno.

Segunda-feira, Março 22, 2010

Oração sem sentido



Não entender.
Aceitar o que não pode ser entendido.
Entender o que não tem sentido.
Não ter sentido.
Mas aceitar.
Sem entender.
Sem ter sentido.


Obs.: Como já faz umas duas semanas que escrevi isso, só agora releio e percebo, quando eu estou numa "bad" fico com idéias fixas rodando em círculos na minha mente, daí os textos serem tão repetitivos. Eu sou uma pessoa repetitiva e explicativa.

Morte tentada



Tentei morrer
Tentei morrer mas não consegui
Tentei acabar com a minha vida de todas as formas que conheço
Mas em todas as tentativas me via acordando para um novo dia

Todos os dias me via com o sangue coagulado sobre a ferida
Com o corpo pendendo de um precipício imaginado
Comprimidos nunca engolidos
Nenhuma corda no pescoço fino
E os pulsos nunca cortados

Tentei morrer mas não consegui
Imaginei que este seria o descanso da minha alma sofrida
Ensaiei a morte nunca executada
E acordei para um novo dia