quarta-feira, outubro 10, 2012

Ônibus

Não sabia ainda o que era. Um misto de desejo e inocência. Bastavam seus joelhos tocarem suavemente, mesmo por cima das roupas, e vislumbrava aquela sensação. As borboletas no estômago. Não ouvia mais o que ela estava dizendo. Só pensava em que estavam tocando um ao outro com os joelhos, os ombros, seus corpos muito próximos. E o seu cabelo tão belo. Tinha um grande desejo de o tocar. Só queria acariciá-lo, sentí-lo. Mas se mantinha imóvel, todo empertigado. E nela estavam seus pensamentos em devaneios. Foi tudo tão imediato, nunca a havia notado desta forma. Há muito se conheciam, mas aquele sentimento era absolutamente inédito. A sensação que o imobilizava. Agora ele notava. E pensava que tudo que ela fazia era delicado e gentil. Até mesmo virar a página de um livro. Levantar-se ou sentar-se, beber ou fumar, tudo isso era uma delícia e ele se deleitava só em observar. Observar e sentir o calor de seus joelhos se tocando, despretensiosamente.




2 comentários:

Nataly Nunes disse...

Amei o texto.
Você que escreve?
Beijos.

Di Giacomo disse...

Bom texto!

Você deixou um comen†ário no meu blog em abril deste ano elogiando um poema. Queria compartilhar que meu livro "Canções para ninar adultos" acaba de ser publicado pela Patuá :-) Dá pra adquirir aqui http://www.editorapatua.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=129

Espero que goste!

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