segunda-feira, abril 02, 2012

Memórias e um bigodinho ridículo


Como uma das muitas coincidências da vida, uma amiga e eu ficamos solteiras na mesmíssima semana e temos acompanhado a recuperação pós-pé-na-bunda uma da outra enquanto nos apoiados mutuamente. Acontece que as coincidências não param por aqui! Nós duas tivemos o coração partido por cancerianos e temos todos os motivos para proclamar guerra a estes que são os seres mais mimados do zodíaco. E como se não bastassem as tristes repetições do destino, os ex sempre reaparecem simultaneamente! Deve ser devido ao trânsito astral... como não acreditar em astrologia sob tais circunstâncias?


Dentre vários diálogos, lembro-me de quando M. e eu tentávamos descobrir uma fórmula mágica para apagar o ex (também conhecido por "falecido" ou "walking dead") da memória. Ela, no auge de sua raiva, só pensava em vingança e desfilava seus vários planos de desforra: 

- Vou colocar o nome dele na macumba;
- Costurar o nome dele na boca de um sapo;
- Ficar com o melhor amigo;
- Contratar alguém para executar planos mais pesados (melhor não comentar os detalhes).

E eu só respondendo: - nãaaaaaa... não me serve. Pensa em outra coisa.

- Eu posso só xingá-lo de vários nomes? Farei isso. Mas então a raiva passava e eu dizia: - M., melhor você gastar sua energia pensando mais em você, redireciona esse "amor" - que agora está sendo desperdiçado - para você mesma. Pense mais em você e cada vez menos nele. Em vez de planejar vinganças, deseje tudo de bom pra ele e planeje o seu "melhor fim de semana dos últimos tempos".

E os planos seguiam... Michelle, a gente tem que ficar com outros. Vários! Se não tem um perfeito, que seja interessante e bonito, fica com um feio legal e com um bonito burro. Cada dia com um. Assim, logo a gente esquece. 

- Essa ideia também não me serve, M. Mas tenho que concordar que meu padrão de exigência me complica. Os poucos homens que me desafiam intelectualmente e me atraem fisicamente, são também os que me rejeitam. Mas sou do tipo que fica só esperando o coração se apaziguar. Me dou um merecido tempo, um retiro das emoções. Nada de pegação, por enquanto, M.!


Mas ela continuava a falar dele, dia após dia. Sofria por ele não lhe dirigir a palavra. Desconfiava e se melindrava com a ideia de ter sido bloqueada ou pior, deletada. Visitava perfis, conspirava contra sua própria sanidade.

E vinha me mostrar uma foto dizendo: olha, ele é quase um anão e ainda por cima está ficando careca! Eu deveria concordar e dizer que ele era uma criatura horrenda, repugnante. Mas eu olhava aquele moreno de olhos verdes, logo eu que adoro um moreno! Como poderia dizer que ele era terrível? - Feio demais, amiga! Esquece ele. Agora você vai namorar um modelo!

- E vamos combinar não falar mais deles? Assim fica mais fácil nos esquecermos né? É melhor você nem me perguntar mais sobre... Tenho uma ideia! Associa o nome dele a algo que você deteste. Pense nos piores defeitos dele e lembre sempre deles. Do jeito de falar que te irrita. Das brincadeiras idiotas. Qualquer coisa. Se você não vê defeitos nele, pense em algo bem nojento, como um iny weeny teeny shriveled little short dick torto e com uma pinta grande e cabeluda bem no meio e dê a essa "coisa" o nome de Bruno. Pode ser uma solução, temos que parar de falar deles e guardar lá no fundo apenas as boas memórias. Sempre que pensar no nome, vai lembrar dessa imagem ridícula.

M.: Ecat! Que nojo! Que horror! Hahaha. Você é louca, Michelle!

Michelle: Mas vai que funciona! Não custa nada tentar.

E então eu tentava aplicar minha própria teoria... que difícil! Eu não tenho um padrão de preferência muito definida de beleza. Sempre consigo achar algo de belo nas pessoas, ou quase sempre. Então tive que pensar em algo que eu não goste. Não que eu ache totalmente detestável, apenas dispensável. São os bigodes! Definitivamente, gosto de homens barbados. Mas quando rola só aquele bigodinho ridículo... Me incomoda. Não sei explicar. Os bigodes do Joaquim da padaria, do Seu Zé da portaria e daquele mancebo que pensa que é homem. Vão rapar logo essa porra!

Então é isso... pra esquecer, vou dar nome aos bigodes. É a minha solução.

P.S.: Liberando o rascunho: Sinestesia

1 comentários:

Laís... disse...

Sim,seu conselho é o que mais funciona,ainda mais em tempos como pós terminos. Boa sorte!

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